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Saúde e qualidade de vida na Terceira Idade

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A saúde no Idoso e a sua qualidade de vida, nessa faixa etária, deve começar a construir-se cedo, cultivando bons hábitos de modo precoce. Constatamos hoje, que o crescimento da taxa de longevidade, tende  a aumentar face ao enorme desenvolvimento da medicina nas últimas décadas ; as transformações da sociedade desencadearam, contudo, uma tal evolução social que o agora anquilosado conceito de que o homem é o “chefe” do clã familiar e a mulher é a “escrava” de uma sociedade machista, terminou !

Nesse tempo, os Idosos amadureciam no seu domicílio e ali se finavam, porque lá era o seu “canto” e ali se depositava um legítimo direito de terminarem os seus dias, debaixo da primária vigilância de familiares, que acumulavam generosas mas “saturantes” funções de cozinheiros, enfermeiros, auxiliares, em suma, prestadores de cuidados gerais multifacetados, que colocavam , muitas vezes, acima dos seus conhecimentos as suas boas vontades caldeadas com afetos. Era o tempo em que se nascia em casa e se envelhecia jovem…

Porém, o Mundo rodou, deu voltas, virou… E as exigências de cuidados com o ser humano, mudaram; e ao bem-estar físico pode não corresponder o bem-estar social e o seu inverso também é verdadeiro. Por isso, todos temos que ter uma intervenção determinante e uma ação direta na concretização do Envelhecer com Saúde, tendo consciência que o tempo não para e que este trajeto da vida é inevitável e irreversível em Casa ou numa Instituição.

A mentalização para o confronto com o  sentimento de perda que se avizinha  –  à medida que a idade avança  –  é um passo (muito) importante : a aposentação , a subtração de familiares, a anulação de independência, os múltiplos déficits físicos e mentais são partes da linha da vida que os (menos) idosos necessitam interiorizar, , adiando – tanto quanto possível –  a sua inexorável  instalação.  A atividade  física, a estimulação cognitiva, a qualidade alimentar, a tranquilidade do sono, o combate ao isolamento, a supressão de produtos nocivos, os múltiplos rastreios, são capítulos importantes para uma boa condição de saúde, que ajude no tal “envelhecimento alegre e bem disposto” – considerando que os cabelos brancos são arquivos do passado –  e que , de algum modo, reduza ou adie a necessidade de institucionalizar.

Chegado a esta encruzilhada, em que a Vida e o Mundo cometem traições, é necessário procurar melhores soluções e iniciar o combate da adaptação a uma nova realidade, agora que a luta desigual entre a necessidade e o desejo, se instala de modo brutal e traumatizante, com o Idoso a sentir-se desalojado e desapossado dos seus haveres e do conceito (i)real de que a Minha Casa é o Meu Mundo, passou a ser  ou a ter um conteúdo (quase) vazio, na sua essência mais global. É o momento do marcado, decisivo  e fundamental apoio  dos Familiares mais chegados (filhos, netos) e das Estruturas Sociais (médicos, enfermeiros, psicólogos) que se integram no funcionamento de uma E.R.P.I. (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas), convenientemente idealizada, organizada e articulada para prestação de cuidados, que anulem ou minimizem os “estragos” que estas alterações de hábitos de rotina de uma vida podem desencadear, tornando-se cúmplices  na moralização da pessoa que justifica enorme reforço da sua dignidade que, a grande maioria dos visados, entende como perdida. É neste hipotético cenário que se vai retratar um quadro de negação da auto-estima, da alegria de viver ou da exacerbação de patologias adormecidas, com destaque  especial para a agudização de situações demenciais ou Parkinsónicas, da descompensação diabética, das alterações cardíacas, das limitações ósteo-articulares assim como a sempre problemática somatização, tantas e tantas vezes difícil de avaliar…

Este interminável mundo da Geriatria requer, por isso, uma ampla abordagem clínica e psico-social, com equipas multidisciplinares, em interação permanente, de modo a que os conceitos de prevenção, ambientação, reabilitação e cuidados gerais, se potenciem com o Idoso a sentir-se preenchido, feliz e satisfeito com a sua própria vida e o seu dia a dia, adormecendo hoje, com vontade de, amanhã, acordar!!

Por Joaquim Cêrca, Médico de Clínica Geral/Saúde Familiar

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