12 anos de UCCI em Alijó

A Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, inaugurada a outubro de 2008, é uma resposta de cuidados de saúde e apoio social, que nasce da parceria entre o Ministério da Saúde; Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia de Alijó.

“A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), criada pelo Decreto -Lei n.º 101/2006, de 6 de junho, dirige -se a pessoas em situação de dependência que necessitam de cuidados continuados de saúde e de apoio social, de natureza preventiva, reabilitadora ou paliativa, prestados por unidades de internamento, unidades de ambulatório, equipas hospitalares e equipas domiciliárias prestadoras de cuidados continuados integrados.” (Portaria n.º 174/2014 de 10 de setembro).

No âmbito do protocolo realizado com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, no edifício da UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, funcionam as tipologias Longa Duração e Manutenção (1º Piso de internamento, lotação de 22 camas) e de Média Duração e Reabilitação (2º Piso de internamento, lotação de 9 camas) e serviço de Camas Particulares (2ª Piso de internamento, lotação de 4 camas).

No que se refere à tipologia de Longa Duração e Manutenção, esta é uma Unidade de internamento de carácter temporário ou permanente, com espaço físico próprio, tem por finalidade prestar cuidados de saúde e apoio social a pessoas com doenças ou processos crónicos, com diferentes níveis de dependência, que necessitam de cuidados clínicos de manutenção e de apoio psicossocial e que não reúnam condições para serem cuidados no domicílio. Tem como objetivos contribuir para o bem-estar e qualidade de vida da pessoa em internamento, proporcionando-lhe cuidados conducentes à estabilização clínica, à prevenção e retardamento da situação de dependência. O internamento nesta Unidade situa-se num período superior a 90 dias consecutivos; em situações temporárias decorrentes de dificuldades de apoio familiar ou de necessidade de descanso do principal cuidador, o internamento pode ser inferior a 90 dias consecutivos, até ao limite de 90 dias por ano. (Artigo 19º, Portaria n.º 174/2014 de 10 de setembro).

A tipologia de Média Duração e Reabilitação tem por finalidade prestar cuidados a pessoas com perda transitória de autonomia, potencialmente recuperável, que necessitem de cuidados clínicos, de reabilitação e de apoio psicossocial, por situação clínica decorrente da recuperação de um processo agudo ou descompensação de processo patológico crónico. Tem como objetivos contribuir para o bem-estar e qualidade de vida da pessoa em internamento, proporcionando-lhe cuidados conducentes à estabilização clínica, avaliação e reabilitação integral. O internamento nesta Unidade tem uma previsibilidade superior a 30 dias e inferior a 90 dias consecutivos, por cada admissão. (Artigo 19º, Portaria n.º 174/2014 de 10 de setembro)

São princípios fundamentais e de observação indeclinável na atividade desenvolvida pela UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, os princípios: da humanização dos cuidados; da ética assistencial; da qualidade e eficiência; do envolvimento da família; da continuidade e proximidade de cuidados; do rigor e transparência; da responsabilidade e hierarquização; da multidisciplinaridade e interdisciplinaridade.

Pela Unidade de Cuidados Continuados Integrados da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, passaram no decurso destes 12 anos de existência, 781 utentes, provindos de várias zonas do país, destacando-se os utentes oriundos do distrito de Vila Real.

Têm sido várias as iniciativas internas no sentido de responder aos desafios que nos são propostos pelas entidades com as quais articulamos bem como pelas famílias. Temos procurado adaptar técnicas, melhorar políticas e procedimentos, criar condições para fazer mais e melhor pelo utente e famílias.

Em 2015, com o projeto “Regresso + Fácil ao Domicílio”, fomos contemplados no âmbito do programa “Mais Para Todos”, com um prémio de 30 mil euros, o qual permitiu reforçar e melhorar as ajudas técnicas do internamento, bem como criar um banco de ajudas técnicas, com objetivo de providenciar empréstimos comunitários que facilitassem o regresso do utente ao domicílio e retardassem as situações de institucionalização.

No decurso destes 12 anos de atividade, destaco ainda a adesão à Campanha Nacional de Higiene das Mãos, “Medidas Simples Salvam Vidas”, em 2009, a qual nasceu da iniciativa e vontade de Enfermeiros do Serviço e permitiu ao longo de todos estes anos, desenvolver políticas internas de controlo de infeção. Acredito que o conhecimento e crescimento, alcançados ao longo de todos estes anos, permitiram à atual Comissão de Controlo de Infeção da UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Alijó; planear, coordenar e programar de forma tão exímia, a ação de toda a equipa de profissionais, no âmbito da Pandemia por Covid 19 e controlo de infeções associadas à prestação de cuidados de saúde.

Acredito também que o segredo está no que se faz, mas e também, no amor com que se faz, e de uma coisa não tenho dúvida, nesta Unidade trabalham excelentes profissionais nos mais diversos setores de atividade, sendo esta conjugação de esforços o verdadeiro segredo.

Considero que o futuro nos empurrará para “velhos desafios”.

O desafio da sustentabilidade, este ano particularmente agravada pela pandemia por COVID 19, custos inerentes com as medidas de proteção e prevenção da doença (equipamentos de proteção individual), necessidade de repensar estratégias de modo a garantir o futuro de um serviço de cuidados de saúde e de apoio social, de proximidade.

O desafio da Humanização na prestação de cuidados, cuidar com Humanitude. Num ano particularmente caraterizado pelas recomendações de afastamento, fomos desafiados a repensar formas de prestar cuidados sem deixar de “estar perto” quando o nosso gesto era o único que o utente poderia receber. Celebramos a vida, em cada aniversário de utentes e colaboradores, na comemoração de datas festivas.

Deixo uma mensagem de Esperança e Agradecimento a todos os meus colegas, aqueles que me acompanham diariamente, aqueles que dão sentido a esta história da UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, ao desafio de prestação de cuidados de saúde e apoio social.

Cuidar!

O desafio de todos os nossos dias, o desafio da esperança, da perseverança, da coragem, a constante missão de fazer as pessoas sentirem-se pessoas.

Somos parte da teia Humana que cuida, que promove asas para sonhar, esperança para acreditar e fé continuar!

Aos meus Colegas, num ano também particularmente difícil para quem cuida, o Meu Muito e Sincero Obrigada.

Por Ana Rego, Diretora Técnica da UCCI

Instituição assinala Dia da Saúde Mental

No dia 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, que serve, anualmente, para nos alertar para esta temática, mas nunca um assunto fez tanto sentido relembrar, celebrar ou difundir diariamente, como neste ano tão atípico! É necessário e fundamental falar sobre este tema, sem preconceitos, sem rodeios! Este é um assunto que, sem dúvida, todos já conhecemos e que até, em algum momento da vida, já manifestamos um esgar que evidenciava tédio e aborrecimento. É algo que, embora verdadeiro, já tantas vezes ouvimos e que, por momentos, até pensamos se tratar de mais um cliché, que tantas vezes nos é vendido: não há saúde, sem saúde mental! E eis que, vivemos um ano que nos abranda, nos abana, nos põe à prova e, efetivamente, nos faz pensar, mostrando-nos que nunca um chavão fez tanto sentido, foi tão divulgado e ainda assim, deverá ser tão levado a sério, como este! Todavia, o que é isto de saúde mental?
A saúde mental é a ausência de doença, óbvio, não é? Mas não é só isso! Não é um mero sinónimo de normalidade e muito menos de regularidade ou estabilidade. É sim, um estado de bem-estar, de equilíbrio interno e externo, onde a pessoa identifica as suas próprias limitações e emoções, discernindo-as das suas capacidades e potenciando-as. Permitindo que, estas a ajudem a adaptar-se às circunstâncias diárias, imprevisíveis e instáveis da sua própria vida, gerindo-as a seu favor. É a capacidade para superar crises e resolver situações de perdas afetivas e conflitos emocionais. É a existência de um bem-estar físico em sintonia com um equilíbrio psicológico, enquadrado num ambiente social favorável ao seu desenvolvimento. É a aceitação da sua individualidade, das suas diferenças, das suas mudanças, dos seus altos e baixos, das suas caraterísticas, como parte de um percurso em desenvolvimento. É o passar por metamorfoses e anui-las com harmonia. É a acumulação e o desenvolvimento de ferramentas individuais e estratégias de coping que lhe permitam passar por um processo adaptativo e evolutivo, sempre que há uma mudança, obstáculo ou exigência. Não sem antes passar por algum tipo de sofrimento, mas com a dificuldade necessária ao seu crescimento emocional. É ter sentido crítico e da realidade, mas também, ser detentor de sentido de humor, criatividade e capacidade de sonhar. É possuir a habilidade para estabelecer relações satisfatórias com os outros membros da comunidade. É deter projetos como objetivos e, sobretudo, descobrir um sentido para a sua vida. É evidenciar uma mente sã, num corpo são! É padecer de saúde mental e de saúde física coincidentemente. Não obstante, de estas serem as duas vertentes fundamentais e indissociáveis da saúde, são conceitos que divergem, dependendo do significado que estes têm para cada um.
O que nos leva novamente aos significados. Será que ter saúde, ser feliz e/ou ter equilíbrio significa o mesmo para todos nós? Efetivamente não! Saúde e felicidade, como tantos outros conceitos, dependem das experiências individuais, tão singulares, que caraterizam e correspondem a cada individuo. Por exemplo, para muitos, ter saúde é não padecer de qualquer tipo de doença crónica que necessite de medicação diária. Já para outros, ter saúde é viver um dia sem serem assombrados por pensamentos negativos ou autodestrutivos, ainda que sem manifestações ou limitações físicas visíveis a terceiros.
O mesmo se aplica à felicidade! Mais um assunto que nos reporta para a saúde mental, pois a felicidade é, possivelmente, um dos fatores que mais altera o nosso equilíbrio interno, sendo mais uma das suas múltiplas dimensões. A sua incessante insatisfação e infindável procura, ditam as regras. Tornando, assim, cada vez mais indispensável o exercício da aceitação e o da empatia. É imperativo colocarmo-nos mais no lugar do outro, sem julgamentos, sem críticas e sem comparações. Já que somos seres únicos, com experiências singulares, com tormentos diários suficientes, que inúmeras vezes, escondemos demasiadamente bem. Levando-nos a fecharmo-nos em nós mesmos, mas que ainda assim, nos provocam sofrimentos atrozes.
Devemos pensar e ensinar a refletir sobre as caraterísticas pessoais, diferenças sociais, culturais e, principalmente, a aceitá-las. Uma vez que, não há nada que perturbe ou altere tanto o nosso equilíbrio interno que, consequentemente, não danifique ou afete a nossa saúde, sobretudo a mental. Não raras vezes, são estas manifestações físicas que nos chamam a atenção. Pois, devido a uma alteração, que achamos não ser relevante (que guardamos só para nós ou que, simplesmente, toleramos), mas que faz soar o alerta, somatizando. A dor ou o sofrimento que, inicialmente, não passava de um desconforto mental, pode tornar-se um problema físico.
Esta é, assim, razão suficiente para falarmos sobre saúde mental, porque não há saúde sem saúde mental! Consequentemente, não ter saúde mental reporta-nos para um ciclo de sucessivas problemáticas. Dilemas, estes que podem ser geradores de uma má saúde física, advindos de alterações no apetite, variações nos ciclos do sono, adoção de hábitos mais sedentários e menos saudáveis, uma maior predisposição para adições, entre outros. São estas alterações, que tantas vezes se transformam em queixas físicas como problemas no sistema digestivo, nomeadamente, mudanças no funcionamento do estômago e/ou intestino, aumento da transpiração, problemas de memória, problemas de concentração, insónias ou hipersónias, batimentos cardíacos acelerados, dores de cabeça, falta de ar, ataques de pânico, aumento ou diminuição da sensibilidade ou rigidez muscular, por exemplo.
É, também, pertinente desmistificar e esclarecer falsos conceitos sobre a saúde mental. Muitas das pessoas afetadas por problemáticas relacionadas com a saúde mental, nomeadamente, doenças do foro psicológico, são muitas vezes incompreendidas, excluídas, marginalizadas ou estigmatizadas pela sociedade. Muitas delas vivem à margem da sociedade devido a preconceitos inadequados, inconvenientes e errados, que demonstram falta de informação. São exemplo as expressões seguintes, como os problemas mentais não têm cura; são fruto da imaginação; são sinónimo de mimo, de pouca inteligência, de preguiça, de perigo, de fragilidade, de imaturidade ou de insanidade. Não é verdade, mas podem definitivamente, ser incapacitantes para qualquer individuo, a partir do momento que, estas alterem o seu dia-a-dia ou perturbem a sua normalidade.
É, assim, imperativo cuidar de nós, principalmente agora, nesta era de mudanças e de isolamento social, onde impera o medo e a incerteza. Somos seres sociais, logo o isolamento é um comportamento anti-natura, que acentua a nossa necessidade de comunicação e interação, aumentando a probabilidade de surgimento de alterações e/ou desenvolvimento ou progressão de doenças mentais. Por conseguinte, podemos adotar variadíssimas estratégias e dicas para preservar e promover a nossa saúde mental como, fazer uma boa higiene do sono, por exemplo, criando rotinas para deitar. Dormir é um comportamento espontâneo. Por isso se, o sono não aparece de uma forma natural ou irrompe em alturas impróprias, isso revela-nos que o nosso comportamento confundiu o nosso cérebro, sendo necessário reeducá-lo. Outras estratégias para proporcionar uma maior saúde mental passam por, reservar algum tempo para fazer o que gosta, o que lhe proporciona prazer; manter ou criar rotinas; praticar exercício físico, por exemplo, caminhadas regulares a um passo mais acelerado de pelo menos 30 minutos; fazer uma alimentação saudável; reduzir o consumo da cafeína; regrar o acesso a informação que não advenha de fontes fidedignas; manter a proximidade e a relação com os outros, através de contactos telefónicos regulares ou redes sociais; ser voluntário ou por exemplo, ajudar um vizinho, o que irá aumentar o seu sentido de pertença e de utilidade para com a comunidade, gerando uma sensação de maior satisfação e realização para com a vida.
Consequentemente é fundamental falar sobre saúde mental, ensinando as pessoas a cuidarem de si e da saúde dos que as rodeiam. Contribuindo, deste modo, para um mundo que faça mais sentido, que seja mais harmonioso, que desenvolva uma sociedade mais saudável para as mentes, para os corpos e para as relações sociais de cada um e de todos ao mesmo tempo!
Falar sobre um assunto, efetivamente, muda tudo! Não interessa registar ou referenciar, exclusivamente os problemas ou as dificuldades que vivemos. Esse será meio caminho para uma má adaptação e consecutivamente, um enfraquecimento da nossa saúde mental. É impreterível
dotarmo-nos de ferramentas adequadas e direcionadas para a resolução de problemas. Sair de ciclos geradores de sofrimento e fazer parte das nossas soluções, é imprescindível!
Liberte-se do medo, da tristeza e da ansiedade procurando informação adequada e a ajuda de um profissional, se necessário. Cuide de si, sorria e seja feliz!

Por Olga Pereira, Psicóloga CLDS 4G  

 

“Vamos falar de Saúde Mental”

Nos dias 16, 23 e 30 de Outubro foi realizado o 1ª Ciclo de Conferências subordinado ao tema “Vamos falar de Saúde Mental!”. Este incidiu sobre temáticas importantes no espectro da saúde mental. O orador que iniciou este ciclo foi o Dr. Vítor Pimenta (médico psiquiatra na ULSNE) com o tema “Patologias mais frequentes na região de Trás-os-Montes”, abordou o âmbito de atuação do serviço onde desempenha funções, nomeou as patologias que surgem mais na sua consulta, assim como algumas alterações que surgiram na pandemia, nomeadamente, ao nível da prestação de cuidados de saúde primários. A segunda comunicação foi acerca do “Burnout nos profissionais de saúde” e realizada pela Professora Doutora Cristina Queirós (Professora no curso de Psicologia da Universidade do Porto). Esta comunicação debruçou-se sobre o impacto do burnout nas equipas de trabalho, foram disponibilizadas algumas estratégias para a identificação de sinais e sintomas, assim como para a prevenção dos mesmos. O encerramento do ciclo de conferências coube ao Dr. Pedro Macedo (médico psiquiatra no CHTS) que abordou o tema “Saúde Mental vs Bruxaria”. Esta temática incidiu sobre a procura do uso de técnicas de tratamento mais “folclóricas” e acerca da procura de explicações mais místicas para o alívio imediato de sintomas, foi referido que muitas vezes a psiquiatria tem que contornar estas questões culturais.

A Misericórdia tem apostado na prevenção, nomeadamente para reduzir o risco do aparecimento de doenças mentais, assim como identificar e realizar um tratamento precoce destas. Neste sentido, a SCM Alijó criou um Gabinete de Intervenção Psicológica destinado aos funcionários. Este Gabinete surge com o intuito de promover o bem-estar psicológico dos funcionários, assim, como, dar resposta às necessidades destes. Durante o confinamento, foi prestado apoio psicológico através de chamada telefónica, foi divulgado conteúdo interno e nas redes sociais, de forma na prestar apoio num momento de crise tão conturbado. Atualmente, o Gabinete de Intervenção Psicológica já se encontra a realizar consultas presenciais.

Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, ao longo dos anos tem aumentado a prevalência da depressão e ansiedade na população portuguesa. O “Pelicano” foi tentar compreender um pouco mais acerca deste tema que ainda hoje, é considerado um “tabu”. Em declarações ao jornal, o  um elemento do Gabinete referiu que “é imperativo começarmos a delinear estratégias para cativar a atenção das pessoas para este tema, muitas pessoas não fazem ideia da ajuda que um Psicólogo lhes pode dar”.

Mais uma vez, a Misericórdia dá um passo importante na aposta na intervenção psicológica, no combate ao estigma e à doença mental.

Saúde e qualidade de vida na Terceira Idade

A saúde no Idoso e a sua qualidade de vida, nessa faixa etária, deve começar a construir-se cedo, cultivando bons hábitos de modo precoce. Constatamos hoje, que o crescimento da taxa de longevidade, tende  a aumentar face ao enorme desenvolvimento da medicina nas últimas décadas ; as transformações da sociedade desencadearam, contudo, uma tal evolução social que o agora anquilosado conceito de que o homem é o “chefe” do clã familiar e a mulher é a “escrava” de uma sociedade machista, terminou !

Nesse tempo, os Idosos amadureciam no seu domicílio e ali se finavam, porque lá era o seu “canto” e ali se depositava um legítimo direito de terminarem os seus dias, debaixo da primária vigilância de familiares, que acumulavam generosas mas “saturantes” funções de cozinheiros, enfermeiros, auxiliares, em suma, prestadores de cuidados gerais multifacetados, que colocavam , muitas vezes, acima dos seus conhecimentos as suas boas vontades caldeadas com afetos. Era o tempo em que se nascia em casa e se envelhecia jovem…

Porém, o Mundo rodou, deu voltas, virou… E as exigências de cuidados com o ser humano, mudaram; e ao bem-estar físico pode não corresponder o bem-estar social e o seu inverso também é verdadeiro. Por isso, todos temos que ter uma intervenção determinante e uma ação direta na concretização do Envelhecer com Saúde, tendo consciência que o tempo não para e que este trajeto da vida é inevitável e irreversível em Casa ou numa Instituição.

A mentalização para o confronto com o  sentimento de perda que se avizinha  –  à medida que a idade avança  –  é um passo (muito) importante : a aposentação , a subtração de familiares, a anulação de independência, os múltiplos déficits físicos e mentais são partes da linha da vida que os (menos) idosos necessitam interiorizar, , adiando – tanto quanto possível –  a sua inexorável  instalação.  A atividade  física, a estimulação cognitiva, a qualidade alimentar, a tranquilidade do sono, o combate ao isolamento, a supressão de produtos nocivos, os múltiplos rastreios, são capítulos importantes para uma boa condição de saúde, que ajude no tal “envelhecimento alegre e bem disposto” – considerando que os cabelos brancos são arquivos do passado –  e que , de algum modo, reduza ou adie a necessidade de institucionalizar.

Chegado a esta encruzilhada, em que a Vida e o Mundo cometem traições, é necessário procurar melhores soluções e iniciar o combate da adaptação a uma nova realidade, agora que a luta desigual entre a necessidade e o desejo, se instala de modo brutal e traumatizante, com o Idoso a sentir-se desalojado e desapossado dos seus haveres e do conceito (i)real de que a Minha Casa é o Meu Mundo, passou a ser  ou a ter um conteúdo (quase) vazio, na sua essência mais global. É o momento do marcado, decisivo  e fundamental apoio  dos Familiares mais chegados (filhos, netos) e das Estruturas Sociais (médicos, enfermeiros, psicólogos) que se integram no funcionamento de uma E.R.P.I. (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas), convenientemente idealizada, organizada e articulada para prestação de cuidados, que anulem ou minimizem os “estragos” que estas alterações de hábitos de rotina de uma vida podem desencadear, tornando-se cúmplices  na moralização da pessoa que justifica enorme reforço da sua dignidade que, a grande maioria dos visados, entende como perdida. É neste hipotético cenário que se vai retratar um quadro de negação da auto-estima, da alegria de viver ou da exacerbação de patologias adormecidas, com destaque  especial para a agudização de situações demenciais ou Parkinsónicas, da descompensação diabética, das alterações cardíacas, das limitações ósteo-articulares assim como a sempre problemática somatização, tantas e tantas vezes difícil de avaliar…

Este interminável mundo da Geriatria requer, por isso, uma ampla abordagem clínica e psico-social, com equipas multidisciplinares, em interação permanente, de modo a que os conceitos de prevenção, ambientação, reabilitação e cuidados gerais, se potenciem com o Idoso a sentir-se preenchido, feliz e satisfeito com a sua própria vida e o seu dia a dia, adormecendo hoje, com vontade de, amanhã, acordar!!

Por Joaquim Cêrca, Médico de Clínica Geral/Saúde Familiar

Saúde Mental na Região de Trás-os-Montes

No dia 10 de Outubro celebra-se o Dia Mundial da Saúde Mental, este é um momento importante para reflectir acerca de tudo o que tem sido realizado neste âmbito. A Saúde Mental é a base do bem-estar geral de um indivíduo, ou seja, da capacidade de adaptação a novos eventos de vida, capacidade de resolução de conflitos/problemas, estabelecimento de relações satisfatórias com os outros, ter projectos de vida, ter capacidade de reconhecer e identificar sinais de mal-estar. Quando não existe uma rede de suporte (família e amigos) e existir sofrimento emocional, é importante pedir ajuda psicológica.

Neste sentido, no próximo mês de Outubro serão realizados um Seminários subordinados ao tema “Saúde Mental na Região de Trás-os-Montes”, estes serão destinados aos colaboradores, IPSS’S e comunidade, será realizado em formato e-learning. O objectivo é abordar as patologias psiquiátricas mais prevalentes na nossa região, alertar para os riscos associados às mesmas, combater o estigma e desmistificar crenças associadas. O ciclo de seminários será nos dias 16,23 e 30 de Outubro. Este ciclo irá iniciar-se com o Dr. Vítor Pimenta (médico Psiquiatra na ULSNE- Unidade Local de Saúde do Nordeste) que irá abordar o tema “Patologias mais frequentes na região de Trás-os-Montes”, no dia 23 de Outubro a Prof. Dra. Cristina Queirós (Professora na FPCEUP- Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto) e irá abordar o “Burnout nos profissionais de Saúde”, por último, este ciclo termina com o Dr. Pedro Macedo (médico Psiquiatra no Centro Hospitalar de Tâmega e Sousa) e irá abordar o tema “Saúde Mental e Bruxaria”.

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Solidariedade em tempos de Pandemia

Durante o pico da pandemia da COVID-19 foram muitas as Associações e Instituições que se uniram em prol de um único objetivo: ajudar o próximo. Esta ajuda chegou até à Santa Casa da Misericórdia de Alijó em forma de donativos.

Aquando da declaração do estado de emergência, em março, a preocupação da Santa Casa da Misericórdia de Alijó foi a segurança imediata dos seus utentes, conseguir reunir o máximo de materiais de proteção individual e tranquilizar as famílias. Porém, estaria longe de imaginar que a solidariedade viria de vários pontos do País e de vários setores de atividade.

Desde as entidades locais como o Município de Alijó e a Juntas de Freguesia de Alijó e Castedo e Cotas, aos vários comércios do concelho, passando por empresas nacionais, por particulares, pela SIC Esperança e pela União das Misericórdias, todos quiseram contribuir com vários materiais para que o combate à propagação da COVID-19 fosse eficaz.

De entre as várias ofertas destacam-se os inúmeros equipamentos de proteção individual, os desinfetantes, mas também o material informático que ajudou os nossos utentes a estarem mais perto da família quando a saudade apertava.

Esta onda solidária que se criou em tempos de pandemia representou uma grande ajuda para que Instituições, como a Misericórdia de Alijó, assegurassem a saúde e o bem-estar dos utentes numa fase mais complicada. Desta forma, a Santa Casa da Misericórdia de Alijó agradece, mais uma vez, todas as doações que foram feitas ao longo destes meses.

Abertura dos Centros de Dia

Impacto nos utentes

O Centro de dia é uma resposta social desenvolvida pelo Centro Social do Pinhão da Santa Casa da Misericórdia de Alijó.

Ao longo dos últimos meses foram criadas soluções para lidar com as situações adversas que têm surgido. Uma das situações que suscitou alguma preocupação às instituições foi o encerramento dos centros de dia. Estes Centros prestam apoio a um número significativo de utentes que encaram a frequência nos mesmos como sendo uma “segunda casa”. Os utentes estavam habituados a ter atividades de animação sociocultural, intervenção psicológica e estimulação cognitiva, assim como um convívio diário que lhes proporcionava momentos de bem-estar.

De forma a dar resposta às necessidades destes utentes, a Misericórdia começou a prestar o serviço de apoio domiciliário a estes utentes. O isolamento social, a ausência de familiares próximos, foi algo com que os utentes tiveram que aprender a gerir. Muitas vezes, as únicas visitas que recebiam eram da equipa do Centro Social. A equipa teve que “puxar pela criatividade” de forma a conseguir alegrar o dia-a-dia destes.

Uma das queixas mais frequentes que estes utentes têm apresentado é a “saudade da rotina do centro de dia”. O isolamento social, as preocupações dos utentes relativamente à covid-19, levanta questões importantes relacionadas com o bem-estar psicológico e saúde mental dos mais velhos. Existem muitos utentes que têm vindo a revelar sintomatologia ansiosa e depressiva, desta forma, são reunidos esforços, em articulação com os profissionais afectos a esta instituição de forma a dar resposta às problemáticas que têm surgido.

A maior preocupação da Misericórdia é com o isolamento dos utentes e a garantia da não transmissão do vírus, assim como restabelecer os momentos de convívio e afecto que existiam neste espaço. Neste sentido, foi elaborado um plano de contingência de forma a seguir as regras impostas pela DGS.

Em declarações ao “Pelicano”, a Diretora Técnica Susana Teixeira refere que “a abertura dos centros de dia obrigou à alteração de dinâmicas no que concerne ao espaço e ao número de utentes. Tínhamos dezanove utentes e neste momento, só podemos ter capacidade para treze”. Menciona ter existido uma articulação com os familiares e utentes, considerados grupos de risco (ex: utentes com doenças do foro respiratório), no sentido de os sensibilizar para o apoio a partir do domicílio. Desta forma, estes utentes encontram-se a receber apoio domiciliário, os mais autónomos regressaram ao Centro de Dia. As rotinas para estes utentes passaram a ser diferentes: os utentes ficaram divididos em dois grupos, em duas salas distintas; utilizam máscara durante o dia todo; foi criada uma zona de limpos e sujos, ou seja, os utentes entram para a instituição e trocam de calçado e no final do dia saem por outra zona; o material das atividades é todo desinfetado; a dinâmica do transporte também foi alterada uma vez que tem que ser realizada de forma a transportar os utentes por grupo e em grupos pequenos. A Diretora Técnica acrescenta que os utentes “estão extremamente felizes por regressar e que a higienização das mãos passou a ser um hábito deles, do qual já não conseguem abdicar”.

Farmácia do Hospital realiza Testes COVID-19

A Farmácia do Hospital da Stª Casa da Misericórdia de Alijó está a realizar testes imunológicos à COVID-19. Os testes rápidos, também denominados por testes serológicos por imunocromatografia, são meios de diagnóstico altamente fiáveis e específicos.
Do ponto de vista técnico, este imunoensaio qualitativo baseado na membrana para a deteção de anticorpos em sangue total é realizado por profissionais
qualificados para o efeito, num espaço controlado, diferente das instalações da Farmácia cedido pela instituição e utilizando todos os meios de higiene e segurança, quer no momento do contacto com a pessoa, quer na preparação e no tratamento das amostras.

Desde meados do mês de Junho que a Farmácia do Hospital da SCMA está a efetuar estes testes não só a particulares como também a funcionários de empresas com atividade profissional em outras regiões do país ou no estrangeiro e que, antes da formação dos grupos de trabalho, mostram interesse em garantir a saúde e a segurança dos seus funcionários.

Para mais informações sobre estes testes, fale connosco. Envie-nos um email para farmaciadohospital.scmalijo@gmail.com

PPCIRA

Na Santa Casa da Misericórdia de Alijó existe a equipa do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infecções e de Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) que desenvolveu diversas acções de formação, elaboração de protocolos no âmbito do controlo de infecção, ensinos de enfermagem, entre outros. Este Programa tem sido aplicado aos funcionários desta instituição ao longo dos anos.

Perante o risco actual e a responsabilidade perante todos os funcionários, esta equipa ganhou outra importância uma vez que foi necessário traçar um Plano de Contingência para fazer face à actual problemática. Este plano foi alvo de revisões permanentes, actualizações e reuniões que eram realizadas de acordo com as indicações da Direcção Geral de Saúde (DGS).

O surto de doença por COVID-19 adquiriu uma dimensão epidémica, com casos confirmados em mais de 60 países, incluindo Portugal. Neste sentido esta equipa pretendeu antecipar e gerir, nas várias valências, o impacto da pandemia. Sendo este um factor desconhecido para todos, pretendemos com este artigo compreender um pouco melhor todo o trabalho realizado e os “bastidores” de todo o processo.

 

Uma equipa de luxo

Em declarações ao Pelicano, a equipa referiu alguns dos aspectos mais desafiantes que vivenciaram. A equipa aborda o facto de, para além de terem que reunir sempre que existiam novas indicações da DGS, também tiveram que se antecipar e delinear soluções a implementar no imediato. Segundo a equipa “(…) existiram questões que a DGS não era explícita e tivemos que interpretar da melhor forma possível. As directrizes saíam em cima da hora e, por isso, tivemos que nos antecipar ao que poderia acontecer. Um dos exemplos foi o encerramento da creche antes de ser anunciado pela DGS, assim como o cancelamento das visitas na ERPI”.  

Diversos estudos têm apontado a exposição às exigências sem precedentes como o racionamento de equipamentos de protecção individual, a pressão do ambiente envolvente e o receio de contágio, que parecem ser factores que geram o “burnout” nos profissionais de saúde. Quem acompanhou de perto esta equipa, pôde constatar o desgaste físico e psicológico que as atuais circunstâncias lhes causaram. Tal como referem chegamos a estar em casa e a lembrarmo-nos de pormenores que faltavam acrescentar ao plano (…) o telefone não parava, foi esgotante”.  Em comunicado ao jornal, também salientam que “o difícil não foi elaborar o plano, o mais complicado foi adequar o plano às especificidades de cada valência uma vez que não conhecíamos algumas das instalações (…) ter que criar uma sala de isolamento sem conhecer o espaço, torna-se complicado, gerir tudo isto deixou-nos esgotadas”.

Actualmente vivemos um momento mais tranquilo da pandemia. Contudo, esta equipa mantém reuniões e continua a antecipar a possibilidade de surgir um novo surto sendo que têm vindo a delinear estratégias para lidar com esta situação que tanto nos afecta a todos.

A equipa é composta pelas Enfermeiras Ana Araújo, Ana Raquel Vaz, Cármen Pinto, Cármen Rodrigues e o Dr. José Presa Ramos. Esta equipa merece a nossa maior consideração, estiveram na linha da frente e protegeram a nossa instituição da melhor forma possível e a todos os membros queremos deixar o nosso maior obrigado.