Skip to content

Instituição assinala Dia da Saúde Mental

l_saude-mental_site

No dia 10 de outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental, que serve, anualmente, para nos alertar para esta temática, mas nunca um assunto fez tanto sentido relembrar, celebrar ou difundir diariamente, como neste ano tão atípico! É necessário e fundamental falar sobre este tema, sem preconceitos, sem rodeios! Este é um assunto que, sem dúvida, todos já conhecemos e que até, em algum momento da vida, já manifestamos um esgar que evidenciava tédio e aborrecimento. É algo que, embora verdadeiro, já tantas vezes ouvimos e que, por momentos, até pensamos se tratar de mais um cliché, que tantas vezes nos é vendido: não há saúde, sem saúde mental! E eis que, vivemos um ano que nos abranda, nos abana, nos põe à prova e, efetivamente, nos faz pensar, mostrando-nos que nunca um chavão fez tanto sentido, foi tão divulgado e ainda assim, deverá ser tão levado a sério, como este! Todavia, o que é isto de saúde mental?
A saúde mental é a ausência de doença, óbvio, não é? Mas não é só isso! Não é um mero sinónimo de normalidade e muito menos de regularidade ou estabilidade. É sim, um estado de bem-estar, de equilíbrio interno e externo, onde a pessoa identifica as suas próprias limitações e emoções, discernindo-as das suas capacidades e potenciando-as. Permitindo que, estas a ajudem a adaptar-se às circunstâncias diárias, imprevisíveis e instáveis da sua própria vida, gerindo-as a seu favor. É a capacidade para superar crises e resolver situações de perdas afetivas e conflitos emocionais. É a existência de um bem-estar físico em sintonia com um equilíbrio psicológico, enquadrado num ambiente social favorável ao seu desenvolvimento. É a aceitação da sua individualidade, das suas diferenças, das suas mudanças, dos seus altos e baixos, das suas caraterísticas, como parte de um percurso em desenvolvimento. É o passar por metamorfoses e anui-las com harmonia. É a acumulação e o desenvolvimento de ferramentas individuais e estratégias de coping que lhe permitam passar por um processo adaptativo e evolutivo, sempre que há uma mudança, obstáculo ou exigência. Não sem antes passar por algum tipo de sofrimento, mas com a dificuldade necessária ao seu crescimento emocional. É ter sentido crítico e da realidade, mas também, ser detentor de sentido de humor, criatividade e capacidade de sonhar. É possuir a habilidade para estabelecer relações satisfatórias com os outros membros da comunidade. É deter projetos como objetivos e, sobretudo, descobrir um sentido para a sua vida. É evidenciar uma mente sã, num corpo são! É padecer de saúde mental e de saúde física coincidentemente. Não obstante, de estas serem as duas vertentes fundamentais e indissociáveis da saúde, são conceitos que divergem, dependendo do significado que estes têm para cada um.
O que nos leva novamente aos significados. Será que ter saúde, ser feliz e/ou ter equilíbrio significa o mesmo para todos nós? Efetivamente não! Saúde e felicidade, como tantos outros conceitos, dependem das experiências individuais, tão singulares, que caraterizam e correspondem a cada individuo. Por exemplo, para muitos, ter saúde é não padecer de qualquer tipo de doença crónica que necessite de medicação diária. Já para outros, ter saúde é viver um dia sem serem assombrados por pensamentos negativos ou autodestrutivos, ainda que sem manifestações ou limitações físicas visíveis a terceiros.
O mesmo se aplica à felicidade! Mais um assunto que nos reporta para a saúde mental, pois a felicidade é, possivelmente, um dos fatores que mais altera o nosso equilíbrio interno, sendo mais uma das suas múltiplas dimensões. A sua incessante insatisfação e infindável procura, ditam as regras. Tornando, assim, cada vez mais indispensável o exercício da aceitação e o da empatia. É imperativo colocarmo-nos mais no lugar do outro, sem julgamentos, sem críticas e sem comparações. Já que somos seres únicos, com experiências singulares, com tormentos diários suficientes, que inúmeras vezes, escondemos demasiadamente bem. Levando-nos a fecharmo-nos em nós mesmos, mas que ainda assim, nos provocam sofrimentos atrozes.
Devemos pensar e ensinar a refletir sobre as caraterísticas pessoais, diferenças sociais, culturais e, principalmente, a aceitá-las. Uma vez que, não há nada que perturbe ou altere tanto o nosso equilíbrio interno que, consequentemente, não danifique ou afete a nossa saúde, sobretudo a mental. Não raras vezes, são estas manifestações físicas que nos chamam a atenção. Pois, devido a uma alteração, que achamos não ser relevante (que guardamos só para nós ou que, simplesmente, toleramos), mas que faz soar o alerta, somatizando. A dor ou o sofrimento que, inicialmente, não passava de um desconforto mental, pode tornar-se um problema físico.
Esta é, assim, razão suficiente para falarmos sobre saúde mental, porque não há saúde sem saúde mental! Consequentemente, não ter saúde mental reporta-nos para um ciclo de sucessivas problemáticas. Dilemas, estes que podem ser geradores de uma má saúde física, advindos de alterações no apetite, variações nos ciclos do sono, adoção de hábitos mais sedentários e menos saudáveis, uma maior predisposição para adições, entre outros. São estas alterações, que tantas vezes se transformam em queixas físicas como problemas no sistema digestivo, nomeadamente, mudanças no funcionamento do estômago e/ou intestino, aumento da transpiração, problemas de memória, problemas de concentração, insónias ou hipersónias, batimentos cardíacos acelerados, dores de cabeça, falta de ar, ataques de pânico, aumento ou diminuição da sensibilidade ou rigidez muscular, por exemplo.
É, também, pertinente desmistificar e esclarecer falsos conceitos sobre a saúde mental. Muitas das pessoas afetadas por problemáticas relacionadas com a saúde mental, nomeadamente, doenças do foro psicológico, são muitas vezes incompreendidas, excluídas, marginalizadas ou estigmatizadas pela sociedade. Muitas delas vivem à margem da sociedade devido a preconceitos inadequados, inconvenientes e errados, que demonstram falta de informação. São exemplo as expressões seguintes, como os problemas mentais não têm cura; são fruto da imaginação; são sinónimo de mimo, de pouca inteligência, de preguiça, de perigo, de fragilidade, de imaturidade ou de insanidade. Não é verdade, mas podem definitivamente, ser incapacitantes para qualquer individuo, a partir do momento que, estas alterem o seu dia-a-dia ou perturbem a sua normalidade.
É, assim, imperativo cuidar de nós, principalmente agora, nesta era de mudanças e de isolamento social, onde impera o medo e a incerteza. Somos seres sociais, logo o isolamento é um comportamento anti-natura, que acentua a nossa necessidade de comunicação e interação, aumentando a probabilidade de surgimento de alterações e/ou desenvolvimento ou progressão de doenças mentais. Por conseguinte, podemos adotar variadíssimas estratégias e dicas para preservar e promover a nossa saúde mental como, fazer uma boa higiene do sono, por exemplo, criando rotinas para deitar. Dormir é um comportamento espontâneo. Por isso se, o sono não aparece de uma forma natural ou irrompe em alturas impróprias, isso revela-nos que o nosso comportamento confundiu o nosso cérebro, sendo necessário reeducá-lo. Outras estratégias para proporcionar uma maior saúde mental passam por, reservar algum tempo para fazer o que gosta, o que lhe proporciona prazer; manter ou criar rotinas; praticar exercício físico, por exemplo, caminhadas regulares a um passo mais acelerado de pelo menos 30 minutos; fazer uma alimentação saudável; reduzir o consumo da cafeína; regrar o acesso a informação que não advenha de fontes fidedignas; manter a proximidade e a relação com os outros, através de contactos telefónicos regulares ou redes sociais; ser voluntário ou por exemplo, ajudar um vizinho, o que irá aumentar o seu sentido de pertença e de utilidade para com a comunidade, gerando uma sensação de maior satisfação e realização para com a vida.
Consequentemente é fundamental falar sobre saúde mental, ensinando as pessoas a cuidarem de si e da saúde dos que as rodeiam. Contribuindo, deste modo, para um mundo que faça mais sentido, que seja mais harmonioso, que desenvolva uma sociedade mais saudável para as mentes, para os corpos e para as relações sociais de cada um e de todos ao mesmo tempo!
Falar sobre um assunto, efetivamente, muda tudo! Não interessa registar ou referenciar, exclusivamente os problemas ou as dificuldades que vivemos. Esse será meio caminho para uma má adaptação e consecutivamente, um enfraquecimento da nossa saúde mental. É impreterível
dotarmo-nos de ferramentas adequadas e direcionadas para a resolução de problemas. Sair de ciclos geradores de sofrimento e fazer parte das nossas soluções, é imprescindível!
Liberte-se do medo, da tristeza e da ansiedade procurando informação adequada e a ajuda de um profissional, se necessário. Cuide de si, sorria e seja feliz!

Por Olga Pereira, Psicóloga CLDS 4G  

 

No comment yet, add your voice below!


Add a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *