Vivemos em sociedades de risco, entendidas como da incerteza e da imprevisibilidade, e nas quais ninguém, nem mesmo com a ajuda da ciência, conhece os perigos exatos a que está sujeito. A Covid-19 declarada pela OMS como pandemia, a 11 de março de 2020, veio exacerbar ainda mais as desigualdades e os problemas sociais e mudar para sempre o modo como estamos no mundo e nos relacionamos.
Esta doença, que é vista como um risco, trouxe também outros riscos: o da perda do emprego, o da perda de rendimentos, o da incapacidade para manter uma habitação, o da redução das redes de solidariedade, o da pobreza, o da fome, o do agravamento de problemas de saúde crónicos, entre muitos outros. Por isso, dado o elevado grau de transmissibilidade da Covid-19, fomos obrigados a um confinamento e manutenção da distância física, como forma de conter a propagação da Covid-19.
Fecharam-se fronteiras entre países, cancelaram-se viagens, encerraram atividades de comércio e serviços, suspenderam-se as atividades de apoio social desenvolvidas nos Centros de Dia e outros, as pessoas ficaram em casa. Em suma, as vidas ficaram em suspenso.
Foram alguns meses de confinamento e todos os profissionais foram confrontados com novos desafios no trabalho, sendo que o confinamento e a necessidade de distanciamento físico exigiram, uma reinvenção das práticas de atuação. Esta situação prolongou-se até setembro de 2020, contudo toda a dinâmica praticada numa instituição nunca mais foi a mesma, desde o uso obrigatório e permanente de máscara e/ou uso de EPI, desinfetar as mãos em todas as dinâmicas, redução do número de ocupantes nos transportes, o trabalho em equipas de espelho e outras dinâmicas.
No dia 14 de janeiro de 2021, o governo declarou um novo confinamento, anunciou o encerramento dos Centros de Dia, Universidades Séniores e outros, no âmbito do combate à pandemia. E assim foi, mais uma vez, o Centro Social do Pinhão da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, foi obrigado a encerrar, suspendeu as atividades de apoio social desenvolvidas na instituição, e informou todos os familiares e utentes desta estratégia para a prevenção e retardamento da Covid-19, sendo medidas necessárias e fundamentais para todos.
Por isso, a permanência dos utentes em suas casas, é uma das práticas comportamentais de distanciamento social, ou melhor, distanciamento físico, e uma das estratégias fundamentais no controlo e na propagação da doença, contudo é vital que se continue a prestar a assistência necessária para que os nossos utentes que se encontram em maior risco de isolamento e solidão não piorem a sua condição á medida que esta pandemia se prolongue.
Conhecendo os fatores que colocam os nossos idosos em risco de solidão e isolamento social, tais como viver em contexto rural, a idade avançada, morar sozinho, baixo nível de escolaridade , viuvez, mau estado de saúde, baixo nível funcional, a falta de visão e a perda auditiva e falta de amigos, torna urgente e necessário delinear novas estratégias e intervenções, por isso, todos os profissionais da nossa instituição foram obrigados a ajustar o planeamento dos cuidados e a intervir face às consequências que o isolamento social provoca, desenvolvendo e testando intervenções ajustadas ao “novo normal.”
Assim sendo, na domiciliação dos serviços, foi fundamental ir ao encontro das necessidades e expectativas dos nossos utentes, desde entrega ao domicílio de compras/bens alimentares, medicamentos, usar as redes sociais virtuais como elo de ligação com a família e amigos, consultas virtuais e por telefone a serviços de saúde, aumento da prestação de cuidados de higiene e conforto várias vezes ao dia e também promover atividades no âmbito desportivo, social, cultural e de estimulação cognitiva.
Por isso, proporcionamos aos nossos utentes visitas on-line a três dimensões, atividades desportivas como ginástica de manutenção em casa com a orientação dos Animadores, bem como exercícios e jogos de estimulação cognitiva, com o objetivo de proporcionar entretenimento e lazer aos nossos utentes, situação que estavam habituados no nosso Centro de Dia.
Em suma, o contexto de pandemia em que mergulhamos veio, de forma brusca e inesperada, desafiar todos os profissionais e quando todos se confinam. Como poderemos garantir o apoio necessário aos mais vulneráveis? Como manter os nossos utentes de Centro de Dia, em confinamento nas suas casas e a manutenção do distanciamento social (entenda-se físico)? Não foi fácil e continua a ser um grande desafio, mas com todo empenho e dedicação dos nossos profissionais, desde Animadores, Auxiliares de Ação Direta e Serviços Gerais, Cozinheiras, Ajudantes de Cozinha, e técnico de Gerontologia, temos conseguido combater os estereótipos etários que se reforçaram com a Covid-19, conectados uns com os outros e enfrentando a solidão e o isolamento social.
Susana Teixeira, Diretora Técnica do Centro Social do Pinhão

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