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Tempo de Pandemia – Hora de (Re)inventar o Natal

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Aproxima-se uma das épocas mais bonitas do ano. A magia natalícia começa a invadir os nossos corações, as ruas iluminam-se de cores e ouvem-se os cantos natalícios que nos aquecem a alma.

Avizinha-se a época da família, da união e de um espírito próprio de solidariedade que nos torna consequentemente ainda mais felizes. Todavia, este ano, toda esta magia se mistura com o receio do amanhã, com a incerteza de quando este vírus nos poderá atacar.

        Trabalhar com crianças torna os nossos dias mais alegres, elas contagiam-nos com a sua luz. Mas, a verdade, é que os nossos dias começaram a ser vividos com alguma insegurança, a nossa realidade mudou e, o mais difícil no meio disto tudo é, explicar-lhes que alguns dos valores por nós incutidos anteriormente não o devem fazer no presente.

 A quadra natalícia é vivida pelas nossas crianças com muita euforia,iniciam a contagem decrescente para a chegada deste dia tão especial, usando os tão conhecidos calendários do advento. E claro, as cartas ao bom velhinho de barbas brancas, mencionando os presentes que mais desejam receber em baixo da sua árvore, nunca podem faltar.

 A sua inocência encobre a realidade do momento, e algumas questões começam a surgir.

Como vamos agora explicar que algumas das atividades realizadas em anos precedentes na Creche e Jardim-de-Infância já não serão concretizadas? Como irão elas reagir a estas mudanças causadas por um inimigo invisível, sobre o qual nem nós adultos temos informações suficientes para os podermos elucidar?

As atividades em sala serão de igual modo elaboradas, mas a azáfama da preparação da “nossa” festinha de Natal, a vinda do Pai Natal à nossa instituição e o lanche partilha dos pais, momentos estes de articulação escola-família, tão relevantes para o fortalecimento de laços afetivos e para o consequente sucesso educativo, ficarão este ano resumidos a lembranças.

Mas… Não, não podemos deixar que estes momentos fiquem abreviados a meras lembranças, devemos sim fazer das adversidades do momento uma forma de  aprendizagem, que nos levem a (re)inventar o Natal e a refletir em tudo o que esta época significa para nós e os valores que lhes estamos a transmitir.

As crianças resumem o Natal ao bom velhinho de barbas brancas que lhes traz os presentes que eles mais desejam como recompensa do bom comportamento. Este processo de fantasia enriquece-as e promove  a consciência  da importância da bondade, da caridade e a valorização do próximo.

Deste modo, cabe a nós adultos ajudar neste processo. Que estas contrariedades do momento nos levem a contemplar o Natal com um olhar mais delicado, com um olhar de criança, que sejamos um exemplo para elas. É tempo de esquecer o valor dos bens materiais e enriquecer o mundo deles com fatos marcantes para a vida, como histórias, músicas, luzes, e o verdadeiro espírito de Natal. Assim, com o decorrer dos anos, quando deixarem de acreditar no bom velhinho de barbas brancas, os presentes começam a perder significado, mas os valores e as tradições inerentes a esta época festiva, vividos em contexto familiar/escolar vão ficar para sempre guardados nas suas memórias.

E que todos os dias fossem Natal…

Nós, profissionais de educação temos um papel importante  na transmissão destes valores. Devemos em articulação com as famílias, dar continuidade ao trabalho realizado em suas casas, para que essa magia não se despedace. Embora não se cumpram as tradições habituais vividas no contexto escolar, a equipa pedagógica já se encontra a (re)organizar novas estratégias de atividades para fazer frente às adversidades do momento, cumprindo sempre todas as normas implementadas pela Direção Geral de Saúde e pelo plano de contingência em vigor da instituição.

Fica apenas uma única certeza num momento cheio de hesitações…A convicção de que tudo faremos para proporcionar às nossas crianças belos momentos de magia natalícia. Que nunca se perca a esperança de dias melhores, confiantes da conquista da “nossa liberdade” no novo ano que se aproxima…

VAI FICAR TUDO BEM…

Por Ana Isabel Carvalho, Educadora de Infância SCM Alijó

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