Natal em Tempos de Covid

Neste ano atípico muito se alterou no nosso quotidiano. Com o surgimento da pandemia causada pela Covid-19 muitos sacrifícios foram pedidos a todos os portugueses: isolamento social, distanciamento físico, teletrabalho, telescola, passaram a fazer parte do nosso dia a dia, tal como comer e respirar. Estamos neste momento limitados nas nossas relações e afetos e nós, humanos, não sobrevivemos isolados, temos necessidade fundamental de ligação ao outro, sendo essa ligação elementar para a espécie humana. O toque é extremamente importante, é o primeiro sentido que surge quando nascemos e o último a desaparecer, antes de morrermos. E esta pandemia retirou-nos o toque, uma ferramenta importantíssima que nos permite regular as emoções e procurar de sinais de segurança, que passam pelo contato com o outro.

Nesta situação, todos nos sentimos ameaçados, somos constantemente bombardeados com notícias a darem-nos imagens assustadoras do país e do mundo. Estamos obviamente focados em tudo o que é negativo, para além do que nos isolou socialmente e nos distanciou fisicamente.  À medida que esta situação vai perdurando e as restrições ao nosso dia a dia se vão mantendo, prolongando e até aumentando, emoções como o medo, raiva, o ressentimento, o desespero, a tristeza e mesmo até a depressão podem-se desenvolver e ir crescendo. E agora, com o aproximar da época natalícia, o isolamento pode tornar-se provavelmente mais pesado e mais difícil de suportar.

O Natal é por excelência a festa de celebração dos afetos. Mais do que o convívio, comemoramos a união fraterna e o sentimento de pertença, a harmonia e paz. Celebramos o nascer de Cristo, e esta época é impregnada de esperança, de fé e renovação de votos para um novo ano que se avizinha. E neste Natal em que mais uma vez há a grande probabilidade de não o podermos festejar com a família alargada, como estamos habituados.

E principalmente nestes dias, aqueles sentimentos mais negativos poderão acentuar-se ainda mais.  É importante reforçar os comportamentos de tolerância, compaixão e afeto, pois estamos todos no mesmo barco e enfrentamos todos o mesmo desafio. Devemos manter uma distância física para assim nos protegermos uns aos outros, e também nós ajudarmos a salvar vidas. O isolamento social não implica distanciamento, não necessitamos de distanciamento, mas sim de um relacionamento seguro, e nesta fase, temos de vivenciar os nossos afetos e relacionamentos de forma segura, mas infelizmente, distante.

E para todos é vitalmente importante que continuemos a nos relacionar com os familiares, amigos, conhecidos e colegas.

Neste Natal mantenhamos viva a luz da esperança de que melhores dias virão e relacionemo-nos uns com os outros com segurança para que nos possamos voltar a abraçar em breve e celebrar a vida.

Por Patrícia Loureiro, Psicóloga Clínica

Tempo de Pandemia – Hora de (Re)inventar o Natal

Aproxima-se uma das épocas mais bonitas do ano. A magia natalícia começa a invadir os nossos corações, as ruas iluminam-se de cores e ouvem-se os cantos natalícios que nos aquecem a alma.

Avizinha-se a época da família, da união e de um espírito próprio de solidariedade que nos torna consequentemente ainda mais felizes. Todavia, este ano, toda esta magia se mistura com o receio do amanhã, com a incerteza de quando este vírus nos poderá atacar.

        Trabalhar com crianças torna os nossos dias mais alegres, elas contagiam-nos com a sua luz. Mas, a verdade, é que os nossos dias começaram a ser vividos com alguma insegurança, a nossa realidade mudou e, o mais difícil no meio disto tudo é, explicar-lhes que alguns dos valores por nós incutidos anteriormente não o devem fazer no presente.

 A quadra natalícia é vivida pelas nossas crianças com muita euforia,iniciam a contagem decrescente para a chegada deste dia tão especial, usando os tão conhecidos calendários do advento. E claro, as cartas ao bom velhinho de barbas brancas, mencionando os presentes que mais desejam receber em baixo da sua árvore, nunca podem faltar.

 A sua inocência encobre a realidade do momento, e algumas questões começam a surgir.

Como vamos agora explicar que algumas das atividades realizadas em anos precedentes na Creche e Jardim-de-Infância já não serão concretizadas? Como irão elas reagir a estas mudanças causadas por um inimigo invisível, sobre o qual nem nós adultos temos informações suficientes para os podermos elucidar?

As atividades em sala serão de igual modo elaboradas, mas a azáfama da preparação da “nossa” festinha de Natal, a vinda do Pai Natal à nossa instituição e o lanche partilha dos pais, momentos estes de articulação escola-família, tão relevantes para o fortalecimento de laços afetivos e para o consequente sucesso educativo, ficarão este ano resumidos a lembranças.

Mas… Não, não podemos deixar que estes momentos fiquem abreviados a meras lembranças, devemos sim fazer das adversidades do momento uma forma de  aprendizagem, que nos levem a (re)inventar o Natal e a refletir em tudo o que esta época significa para nós e os valores que lhes estamos a transmitir.

As crianças resumem o Natal ao bom velhinho de barbas brancas que lhes traz os presentes que eles mais desejam como recompensa do bom comportamento. Este processo de fantasia enriquece-as e promove  a consciência  da importância da bondade, da caridade e a valorização do próximo.

Deste modo, cabe a nós adultos ajudar neste processo. Que estas contrariedades do momento nos levem a contemplar o Natal com um olhar mais delicado, com um olhar de criança, que sejamos um exemplo para elas. É tempo de esquecer o valor dos bens materiais e enriquecer o mundo deles com fatos marcantes para a vida, como histórias, músicas, luzes, e o verdadeiro espírito de Natal. Assim, com o decorrer dos anos, quando deixarem de acreditar no bom velhinho de barbas brancas, os presentes começam a perder significado, mas os valores e as tradições inerentes a esta época festiva, vividos em contexto familiar/escolar vão ficar para sempre guardados nas suas memórias.

E que todos os dias fossem Natal…

Nós, profissionais de educação temos um papel importante  na transmissão destes valores. Devemos em articulação com as famílias, dar continuidade ao trabalho realizado em suas casas, para que essa magia não se despedace. Embora não se cumpram as tradições habituais vividas no contexto escolar, a equipa pedagógica já se encontra a (re)organizar novas estratégias de atividades para fazer frente às adversidades do momento, cumprindo sempre todas as normas implementadas pela Direção Geral de Saúde e pelo plano de contingência em vigor da instituição.

Fica apenas uma única certeza num momento cheio de hesitações…A convicção de que tudo faremos para proporcionar às nossas crianças belos momentos de magia natalícia. Que nunca se perca a esperança de dias melhores, confiantes da conquista da “nossa liberdade” no novo ano que se aproxima…

VAI FICAR TUDO BEM…

Por Ana Isabel Carvalho, Educadora de Infância SCM Alijó

Encurtar distâncias através das novas tecnologias

Com o aparecimento da pandemia global COVID-19, a DGS implementou medidas orientadoras para as IPSS´S de forma a reduzir a contaminação, abrangendo assim,  os Centros de Dia, ERPI e outras respostas sociais.

A integração dos idosos nas redes sociais foi o principal objetivo do Centro Social do Pinhão de forma a minimizar o risco de ansiedade e tristeza, sendo que os idosos apresentam hábitos consolidados que envolvem rotinas nas quais há contato físico, seja com familiares ou amigos e que agora foram interrompidos levando os utentes a sentirem-se desamparados.

Para quebrar as barreiras da distância e para minorar o isolamento, bem como minimizar a saudade esta valência começou a dar mais uso às novas tecnologias e às redes sociais como meio de comunicação com os familiares. Era fundamental contornar toda esta situação e manter o vínculo afetivo e conservar o bem-estar dos idosos.

Através das videochamadas é possível verificar isso e ver os familiares através de um ecrã deixa os utentes felizes, emocionados. Lourdes Sousa refere que esta oportunidade “é uma coisa boa porque deu para matar saudades”. Já Maria Magnifica partilha da mesma opinião e reitera, com um ar decidido: “Gostar? Gostei! Acha que ia dizer que não? Eu ainda queria falar mais tempo”.

O casal Acácio Xavier e Maria do Céu Xavier também responderam de forma positiva.  O senhor Acácio afirma ter gostado muito “porque foi muito bonito ver os meus familiares” enquanto a esposa não escondeu a alegria ao ver a sua filha.

Esta pandemia ensinou muitas coisas e uma dela foi demonstrar o papel positivo das redes sociais que são cada vez mais fundamentais no nosso dia a dia e ajudam a quebrar barreiras da distância e da saudade.

Este é um projeto com futuro e que certamente deixará muita gente feliz!                

Pela Equipa do Centro Social do Pinhão        

 

Testemunhos

SCMA em Tempo de Pandemia Covid-19

ELSA GUEDES (Centro Social do Pinhão)

Tivemos que alterar a carga horária, andar a nossa maneira de vestir (ter que andar com toda a proteção e mais alguma), com todos os cuidados. Sentíamos que os nossos idosos estavam muito isolados, nós íamos todos os dias ao encontro deles, mas foi mau para todo nós. Foi preciso ter paciência, muita calma e às vezes um bocadinho de desespero, mas tudo se ultrapassou. Trabalhamos bem em equipas Espelho, tentamos trabalhar pelo melhor, fizemos o melhor que pudemos. Tivemos uma semana de 12 horas de trabalho e outra de 7 horas e meia, alternadamente. Tivemos que lidar com a situação e fizemos com gosto. Os nossos utentes tiveram que alterar as rotinas. Estavam habituados a estar no Centro a passar o tempo e a fazer as atividades, depois notava que se sentiam muito isolados em casa. Até ao nível das compras, eramos nós que lhes fazíamos a compras e depois íamos lá entregar a casa.

 

FERNANDA MEIAS (Centro Social do Pinhão)

Foi uma época um bocadinho complicada, o nosso trabalho não é assim muito fácil, mas ultrapassou-se. Usar o equipamento de proteção foi algo novo, não estávamos habituados e custou um pouco. Tentávamos gerir o comportamento dos nossos utentes. Eles gostam muito de estar aqui, de fazer as atividades, e em casa estavam sozinhos. Com a reabertura do Centro de Dia, apesar das regras, notou-se que ficaram muito contentes. Conforme ia passando o tempo, nós íamo-nos adaptando. Gerir o trabalho e a família foi complicado porque passávamos muitas horas a trabalhar. Foi uma questão de hábito! Não podíamos sair de casa, foi complicado… mas tentamos sempre gerir da melhor maneira. O mais difícil foi convencer a minha mãe de que não podia ir visitá-la. Não tanto a adaptação dela à situação, mas sim o não compreender o porquê de não puder ir vê-la. Os principais cuidados de higiene eram a desinfeção, as máscaras… mesmo em casa. Usávamos bata, luvas, avental, máscara e viseira. Havia uma pessoa responsável por desinfetar as compras dos utentes, uma única pessoa para não correr riscos.

 

CÉLIA QUEIRÓS (Centro Social do Pinhão)

No fundo nós já tínhamos algumas medidas, foi mais um reforço na parte da higienização. Os meninos tiveram que ficar em casa desde Março. Críamos um grupo na internet onde os pais também participavam e eu enviava atividades para eles fazerem. Dividimos em dois grupos: o do berçário e o das crianças de um e dois anos. Os meninos gostavam muito das atividades, participavam e nós partilhávamos no grupo os trabalhos que eles faziam. Eu propunha as atividades e eles em conjunto com os pais faziam. Com o regresso, no início, sobretudo os mais pequeninos, não nos conheciam o rosto com o uso da máscara, mas com os dias a passar e depois pela voz, tornou-se mais fácil e já nos conheciam. Durante o confinamento, fizemos equipas Espelho, trabalhava com as colegas. Dava apoio na área da medicação, na cozinha, na lavandaria. Tivemos que nos adaptar a novas funções, com todo o gosto, uma vez que também necessitavam. Somos uma equipa, temos que trabalhar em equipa! Complementando com as atividades que fazia em casa para os meninos. Tentava conciliar o meu horário com determinados trabalhos que fossem necessários. Fomos a casa dos meninos levar as lembranças por altura da Páscoa: levamos a máscara, luvas e avental. Continuamos ainda hoje a usar! No regresso, grande parte das medidas já tínhamos adotadas: os meninos do berçário ficam na salinha deles e só os mais velhos é que vão almoçar ao refeitório. Para além das medidas que já tínhamos, tais como no que respeita às mudas de roupa e o calçado… agora lavamos mais frequentemente as mãos.

 

LUCÍLIA VIEIRA (RSI)

O nosso trabalho é de grande proximidade com as famílias e a partir do mês de Março não pudemos fazer esse trabalho, mas em alternativa foram feitos bastantes telefonemas com as famílias: uns diários e outros semanais, dependendo do contacto feito anteriormente. Também foram feitos contactos com as instituições, ao nível do acompanhamento do apoio domiciliário e com os centros de saúde, porque muitas consultas deixaram de ser feitas… Muitos dos beneficiários não percebiam o que se estava a passar, o que era isto da Pandemia: tentamos explicar da melhor maneira possível. Alguns, de mais idade, não sabiam os cuidados que eram necessários, foi-lhes explicado o que era preciso. Tínhamos também beneficiários em Centro de dia, que deixaram de ir. Nós fazíamos o acompanhamento telefónico e através das instituições. Atualmente estamos a trabalhar no gabinete, a fazer atendimentos com marcação e muitos outros pelo telefone. E agora vamos retomar as visitas domiciliárias, tendo o cuidado de usar máscara e desinfetante, de não haver proximidade e a viatura que usarmos tem que ser desinfetada sempre antes e depois do uso.

 

ESTELA TEIXEIRA (RSI)

As alterações foram bastantes desde logo porque o serviço ficou suspenso. Deixaram de ser efetuadas as visitas domiciliárias e os atendimentos presenciais. Os atendimentos foram assegurados por telefone por todos os elementos da equipa. Tentamos efetuar os telefonemas de forma a que a pessoa ficasse com uma figura de referência, com quem a pessoa estivesse mais próxima. Nem sempre era o técnico, às vezes acontece de ser o AAD. Foi difícil porque os nossos utentes trocam muitas vezes de telefone, mas como grande parte deles são acompanhados em serviço de apoio domiciliário pelas IPSS’s do concelho, promovemos o contacto permanente com eles. Esta foi a grande alteração. Ainda assim e em tempo de confinamento entraram 17 novos requerimentos de RSI. As entrevistas foram feitas telefonicamente e posteriormente, quando foi possível averiguar e fazer domicílio, 3 desses depoimentos correspondiam a falsas declarações. As renovações foram asseguradas na plataforma ASIP. Também foram efetuados contactos com o Centro de Saúde. Temos também alguns utentes que fazem trabalhos sazonais em França e Espanha e que regressaram em plena Pandemia. Estes dois países estavam em bem pior situação do que a nossa no que toca a número de infeções e junto do Centro de Saúde e GNR tentamos sinalizá-los no sentido de serem tomadas precauções extra. Atualmente vamos retomar agora as visitas, porque não houve da parte da Segurança Social uma diretiva clara no sentido de se fazer. Eram só válidas as visitas de carácter urgente. Neste momento vamos retomar visitas e atendimentos, evitando que sejam feitas por qualquer motivo e sempre através de agendamento prévio. Temos que tomar as medidas necessárias que a DGS determina e recomenda.

 

CONCEIÇÃO BORGES (Creche | Alijó)

Tivemos que mudar de secção, fui para o lar. Era lá necessária e fiz de tudo um pouco! Estive na lavandaria, nas limpezas um dia e depois pediram-me para ir para a cozinha. O horário era seguido, das 08 horas às 16 horas. Os cuidados passavam por usar o equipamento e não entrar com nada da rua: trocar o nosso calçado, usar a máscara, as plainas, a farda, o avental e a touca e a desinfeção das mãos. O que me incomodava mais era a utilização da máscara, principalmente a cozinhar. Com a alteração dos horários tivemos também de estar disponíveis para os fins de semana, para o serviço que nos pediram. Foi difícil estar longe dos meninos, mas tivemos que nos adaptar às situações. O regresso foi normal, notei-os felizes! Ao nível dos cuidados, são os básicos: nós entramos na porta das colaboradoras. O calçado que trazemos de casa fica no local próprio, desinfetamos as mãos, pomos a máscara e vestimos o equipamento, fazemos a higienização das mesas e do material que usamos e nos diz respeito.

 

SUSANA NARCISO (Creche | Alijó)

Na altura tive de ir dar apoio a outras valências da SCMA. A diretora técnica ligou-me para perceber a minha disponibilidade. No início hesitei um bocadinho, mas disse logo que sim porque havia gente que precisava. Fui para o SAD, fui para a UCCI e andei também a limpar a Farmácia… onde foi preciso! Onde me custou mais um bocadinho foi no SAD porque não estava preparada para fazer a higiene dos utentes. Tive um pouco de receio porque estamos mais em contacto com as pessoas, apesar de termos os cuidados básicos, as luvas, o fato próprio… Ajudámos onde foi preciso! Os turnos foram diferentes: nós aqui tínhamos os sábados e domingos de descanso e nas outras valências tínhamos de trabalhar mais um bocadinho. De resto, correu tudo muito bem. Foi mais uma experiência. Nunca pensei em passar por esta situação, mas gostei muito. Foi uma mais valia porque aprendi muita coisa. Cresci também muito com isto e fiquei feliz por agora regressar ao meu local de trabalho porque adoro estes meninos. São tudo para mim porque adoro o que faço! Eles ficaram muito felizes e espero que isto passe e nós continuemos a ter a nossa casa aberta e que corra tudo bem. O meu marido é bombeiro e tem um emprego de risco. Eu pedia-lhe para ter todos os cuidados, mas era difícil. Tenho dois filhos e é muito complicado a relação com este trabalho. Primeiro tirava a roupa do trabalho e só depois deixava os meus filhos estar em contacto comigo, queria prevenir antes que as coisas pudessem acontecer. Mas correu bem tanto com o meu marido como comigo. Tendo cuidado tudo se resolve! O regresso tem sido uma maravilha: as crianças estão contentes e alegres. Acho que enchem a casa de alegria, estão muito felizes. Estão bem e no cantinho deles!

 

MARISA RUA (Creche | Alijó)

Quando nos foi anunciado no dia 13 de março que iríamos ficar em casa eu pensei que seria por poucos dias, mas afinal a realidade tornou-se um pouco diferente. Tivemos que ficar em casa e foi muito complicado porque sabíamos que iríamos perder o contacto diário com as crianças, com os familiares e isso era impensável. Como vocês sabem a nossa profissão é de afetos, há o tocar, o beijar e o abraçar. Temos as rotinas instituídas e tudo isso se ia perder… então entre nós decidimos criar um grupo de educadoras e um grupo de pais onde podíamos continuar a comunicar entre nós e enviar os trabalhinhos aos meninos. Eu senti muita dificuldade nesse sentido, porque sou de outra geração e tive que solicitar a ajuda da minha filha. Não sabia instalar por exemplo o Zoom, mas depois tudo correu da melhor forma. Conseguíamos então contactar com os meninos, continuamos a contar histórias e a fazer as nossas atividades que estavam programadas no plano anual de atividades porque o confinamento com o dia da mãe, do pai e com a páscoa e tudo isso tinha de continuar a ser trabalho para que os meninos não perdessem o contacto visual connosco. Na parte da família foi também muito complicado. Como sabem eu sou casada com um profissional de saúde e nessa altura ele andava a fazer os testes à Covid e então nessa altura os cuidados de higienização em casa tiveram de ser redobrados. Tivemos um bocado de receio, mas tudo correu dentro da normalidade. O regresso, quando nos disseram que tínhamos de regressar, fiquei com um bocado de expectativa pela forma como os meninos nos iriam receber de máscara, mas correu tudo normalmente. Os meninos já vinham com algumas regras instituídas de casa, como a lavagem das mãos. Eles acataram muito bem as nossas regras, desde terem que se sentar em cadeiras identificadas, não haver contactos… É muito difícil porque a tendência dos meninos é contactarem, é beijarem e abraçarem, torna-se complicado mas nós estamos a seguir as regras da DGS e penso que está a correr tudo dentro dos conformes. Os pais são sensíveis às necessidades, vêm trazê-los com máscara e vêm buscá-los com máscara.  Mesmo que mandem algum familiar, estão a cumprir muito bem as regras. Penso que todos nós aprendemos um bocado com isto, mesmo as situações negativas e más trazem-nos sempre alguma aprendizagem. Eu tentei ver que as coisas não podem ser dadas como adquiridas e temos que ir viver um dia de cada, dando valor a pequenas coisas da vida. Está tudo a correr muito bem, melhor do que o que eu estava a pensar na altura.

 

TATIANA MARTINS (Farmácia)

Durante o confinamento tivemos que reajustar a farmácia. Começamos a fazer o atendimento com o postigo. Tivemos que fazer alterações quer no horário da equipa como também da farmácia. Tivemos que nos reajustar ao nível da metodologia de trabalho. Promovemos também cuidados acrescidos de higiene, desinfeção constante, cuidado com o multibanco, desinfeção das mãos… As pessoas reagiram de forma paciente, compreenderam e reagiram bem. Pedimos sempre que no atendimento, mesmo sendo na rua, que as pessoas tentassem manter a distância entre elas e de forma ordeira tentaram respeitar o máximo possível. A receção das encomendas era efetuada na parte de trás da farmácia. Os funcionários não entravam dentro da farmácia, nem mesmo os medicamentos, que eram transferidos para uma caixa secundária e só depois entravam na farmácia, mediante desinfeção das caixas. Reabrimos as portas, o atendimento é feito com base no acrílico, as medidas de higiene têm sido mantidas e manter a distância de segurança entre pessoas. Ainda durante o confinamento, também fizemos um reajustamento da forma como trabalhamos nas redes sociais, telefone e e-mail por forma a que as pessoas pudessem fazer o pedido e não tivessem de vir à Farmácia diretamente. Fizemos entregas ao domicílio e criámos uma plataforma que permitia aos funcionários da SCMA fazer o seu pedido da medicação e nós depois mais tarde fazíamos chegar a medicação. Foi um hábito que as pessoas criaram e mesmo depois do pico da pandemia continuou a ser usado. De uma forma geral as pessoas abasteceram-se de medicação crónica e alguns suplementos de imunidade. Também para a insónia, notou-se que durante o confinamento as pessoas ficaram muito depressivas, tristes e notou-se que essa gama de medicamentos foi mais procurada.

 

ANA REGINA ARAÚJO (ERPI)

Tivemos que fazer uma grande alteração de funcionamento e rotinas. Criámos circuitos de entrada e saída de funcionários, por exemplo. Uma divisão de refeitórios para que se conseguisse manter o distanciamento físico entre utentes, apesar de ser muito difícil. Ao nível dos funcionários, houve horários de doze horas e quem fazia horário partido, começou a fazer contínuos, por exemplo. Houve desfasamento de entrada e saída de funcionários. Houve teletrabalho e tentou-se minimizar o contacto com os utentes. Por exemplo, sempre que possível ir o mesmo funcionário aos mesmo utentes. O mais difícil foi mesmo a pressão que tínhamos, de tentar que tivéssemos o mínimo de condições para que nada acontecesse. É difícil de lidar com os idosos e convencê-los de que as rotinas mudaram. No início não percebiam o porquê de usar máscara ou viseira, pareciam que estávamos todos doentes na cabeça deles. Em termos pessoais e com a família, foi um horror. Tenho um filho menor, o marido também trabalha aos fins de semana e também teve de trabalhar por turnos e foi um bocadinho difícil de conciliar tudo! No final tudo correu bem! Agora começa-se a sentir uma enorme pressão porque vem o pico da gripe, está prevista uma segunda vaga e parece que estamos a começar a reviver o início da pandemia novamente. Agora já temos outros conhecimentos e equipamentos, já sabemos o que nos espera, o que nos permite também conseguir gerir melhor uma próxima vaga.

 

RAFAELA SILVA (ERPI)

As principais alterações foram ao nível do horário de trabalho e dos recursos humanos. Éramos menos e a nível psicológico fez diferença porque era mais cansativo. Tanto para nós funcionários como para os utentes. A carga horária era de doze horas durante dezoito dias, era equipa espelho. Eu tive de entrar mais cedo porque tivemos dois casos falsos positivos, mas a casa tomou medidas e as senhoras foram postas em isolamento. A nível psicológico foi mais complicado porque estávamos sozinhas com utentes e nem podíamos conviver muito com elas por causa do contacto. Inicialmente quando me foi falada a possibilidade de haver casos positivos, não pensei duas vezes e vim logo, em primeiro lugar os utentes. Isto porque, mais facilmente curávamos nós e tínhamos uma vida normal, do que eles. Depois com o passar do tempo senti mais debilidade por estar fechada e não ter contacto com as colegas, sentíamo-nos um pouco sozinhas. Não havia presença humana, que era o que nos fazia mais falta. Ao nível pessoal, não passava tanto tempo em casa. Os cuidados eram redobrados. Eu estive aqui durante nove dias seguidos, não fui a casa, só que o meu namorado já estava preparado para esta possibilidade. Em termos de relação não nos afetou muito mas sim, o afastamento foi difícil. Agora diminui o lado da carga horária, sinto os utentes um pouco revoltados com a falta de afetos da família. Nós podemos dar, mas o da família é essencial e nós isso não conseguimos transmitir. Embora sejamos uma família, damos o afeto, mas se calhar o que eu vou dar aquela utente não é o mesmo que dá uma filha ou uma neta, é diferente. Sentimos que estão um bocadinho fragilizados nesse sentido. Desde que entramos desinfetamos as mãos, usamos as máscaras. Nunca entramos com a nossa roupa ou lancheiras, é tudo desinfetado. Fica tudo no nosso vestiário! Sempre o uso de luvas, avental, desinfeção das mãos periodicamente e a mudança de luvas de utente para utente também. Dar o aconchego necessário sim, mas sempre com a devida distância que é fundamental!

 

HORTENSE REBELO (UCCI)

Fazíamos das 08.00h às 18.00h e outra 10.30h às 20.30h, que era para ficar assegurada a noite e o serviço da tarde. O que mudou no serviço foi que tivemos de desinfetar mais os corrimões, interruptores da luz, os puxadores das portas e limpar sempre mais e melhor. Nós usamos sempre máscaras, as luvas e os aventais já usávamos, e os óculos. A maior dificuldade foi a adaptar o uso da máscara durante dez horas. Foi muito complicado! As maiores alterações foram ao nível do horário porque ao nível do serviço é mais ou menos a mesma coisa, vamos mantendo… O vírus continua cá! Alguns utentes não reagem muito bem, porque veem as notícias e apercebem-se que há “o bicho” e que é por causa dele que não têm visitas. Há um caso ou outro que não dá conta, mas no geral notou-se um bocadinho!

 

ANA RAQUEL VAZ (UCCI)

No início estávamos todos muito apreensivos, embora já existisse o PPCIRA e já tínhamos algumas regras dentro da instituição, de limpeza e desinfeção e por isso foi um bocadinho mais fácil de nos adaptarmos. Tivemos de reintroduzir novos horários, mais desinfeção, mas em termos de alterações estruturais foi mais quando tivemos de nos dividir em equipas, o que causou mais um bocadinho de constrangimento. Mas em termos de horários e de serviços… mas em termos de desinfeção, lavagem das mãos… tudo aquilo que o Coronavírus veio despertar, já era um bocadinho hábito da instituição realizar. A equipa de enfermagem trabalhou em equipa espelho, as auxiliares também. Os utentes acabaram por não se aperceber tanto, mas perceberam que era algo grave e que iríamos ter novas regras. O que lhes causou mais constrangimento foi o cancelamento das visitas. Aí sim, notou-se uma preocupação nesse sentido. Atualmente as visitas já estão a ser feitas através de uma porta de vidro onde eles não têm qualquer contacto. Muitos queixam-se que não conseguem ouvir, queixam-se de ser apenas uma pessoa, uma vez por semana… e é isso que causa mais constrangimento. Os novos utentes são admitidos normalmente, têm de ter o teste Covid negativo, estão em isolamento durante quatorze dias num quarto próprio individual, em que a auxiliar e a enfermeira entram devidamente equipados e ao fim dos quatorze dias saem do quarto e regressam ao convívio como qualquer doente, isto se não desenvolverem quaisquer sintomas de Covid-19.

 

ALEXANDRA BATISTA (Secretaria)

Foram criadas duas equipas. Nós como somos sete, ficaram 3 numa equipa e quatro noutra e trabalhávamos em dias interpolados. No resto dos dias, alguns elementos funcionavam em regime de teletrabalho. Trabalhamos basicamente os mesmos horários. Em casa, em teletrabalho, é que se podia gerir melhor o horário, mas as dinâmicas e o serviço era realizado na mesma forma. Não foi muito fácil dar resposta às solicitações: ao nível dos utentes sim, porque funcionou muito à base de, por exemplo, transferências bancárias para reduzir a vinda à secretaria. Ao nível dos funcionários funcionou muito à base do telefone e nós tentamos resolver os problemas dessa forma. Correu tudo dentro da normalidade, sendo que sempre foram havendo alguns constrangimentos, mas ultrapassou-se. Muitas das doações à SCMA funcionaram connosco a fazer os pedidos às empresas, tanto daqui como para as valências, o que fez com realmente se conseguissem bastantes doações nessa altura. As principais medidas de higienização foram o uso das máscaras, a higienização das mãos e dos espaços. No fundo nós aqui conseguimos estar a trabalhar com algum distanciamento uns dos outros. Criamos um pequeno gabinete na parte de fora da secretaria onde fazemos o atendimento ao público e as pessoas deixaram de ter acesso à secretaria. Basicamente, quando as pessoas vêm uma de nós vem cá fora e atende a pessoa nesse pequeno gabinete no hall de entrada.

 

 CARLOS MAGALHÃES (Vice-Provedor)

Foi uma situação muito complicada para toda a gente e naturalmente para a Misericórdia. Ninguém esperava por isto e a Misericórdia, desde logo, teve de se adaptar. Logo desde início foi feito um plano que se aplicaria no caso de verificação de casos positivos, o tal plano de contingência, que se aplicou e que toda a gente sabia dele. Primeiro os diretores e depois os funcionários, para que toda a gente soubesse bem o que tinha a fazer. A situação foi muito complicada e ainda hoje o é: toda a gente sentiu medo, algum receio e alguma preocupação. Aquela situação do confinamento tornou as coisas piores, no meu ponto de vista, porque se vivíamos com receio, começou-se a verificar o pânico. Cada um vivia para si, pouco se conversava… O que se falava era quase tudo por vídeo ou videoconferência… Nada quase preferencialmente. Na Misericórdia tivemos sorte com os nossos funcionários, porque foram eles que estiveram sempre na linha da frente, no primeiro embate. Os funcionários foram, como se tivéssemos numa situação de guerra, aqueles que tiveram nas trincheiras lá na frente e nós, da Mesa, estávamos um bocado salvaguardados e seríamos a artilharia, sempre protegidos pela infantaria. Isso para nós foi um sossego e um conforto grande, saber que temos funcionários que estiveram à altura das responsabilidades exigidas e a dar conta daquilo que era necessário. Acabaram por ser os combatentes da primeira linha e depois os heróis desta batalha, pelo menos até agora, e espero que assim continuemos na nossa instituição. Os funcionários que estavam com os doentes, os idosos e também com as crianças estiveram sempre presentes. Nós na Mesa também sentimos um bocadinho a necessidade de, como não estávamos na linha frente, manifestar o nosso apoio, solidariedade e conforto através de conversas e vídeos que enviávamos e que todos enviaram. Eu no início falava diariamente com cada uma das diretoras técnicas: no Pinhão, na creche, no Lar e também na Farmácia. Sempre, todos os dias! Saber como estavam, o que se passava e o que estavam a sentir. No fundo foi isso que se viveu! Continuamos todos a sentir um bocado de receio, já não se sente tanto o pânico, mas receio que as coisas se agravem, sobretudo nas áreas dos idosos onde as coisas se complicaram um bocadinho e a Misericórdia não foge à regra. Foram adotadas medidas de proteção e higienização como qualquer instituição também adotou e, portanto, nós também, sempre com o critério de ser cada um dos diretores técnicos o responsável por cada uma das suas valências, mas foram tomadas medidas concretas de desinfeção das mãos, dos espaços, o uso de luvas e máscaras. Muito embora hoje se diga que as luvas não terão a eficácia que à partida se julgava, mas a verdade é que todas aquelas medidas que a DGS indicava e a Misericórdia adotou-as. A reabertura tem o problema de haver uma disseminação do vírus. Felizmente vivemos num concelho onde não existe essa disseminação, existem casos isolados que aparentemente não têm grande relevância… O receio é esse, que com a abertura possa haver uma propagação do vírus. Tem de haver medidas concretas para que não haja contacto total e direto para com os utentes. Se houver uma segunda vaga penso que estamos preparados para isso, qualquer instituição está e a Misericórdia não foge à regra. Se houver um refechamento a Misericórdia está preparada para isso.

 

 

PATRÍCIA CARDOSO

Na altura foi complicado porque não sabíamos explicar aos idosos como fazer, era confuso, tínhamos de fazer atividades individuais. No início foi estipulado fazermos turnos, no meu entender fazia falta aos idosos estarem mais ocupados, não estarem a ver tantas notícias e não se aperceberem da gravidade da situação. Apesar de eles deverem saber o que é o vírus, mas não estarem sempre a ver notícias acerca desta temática. Pedi para não trabalhar por turnos e vir a semana toda trabalhar durante a quarentena. Os utentes tiveram dificuldade em perceber o porquê de termos de usar máscara, de usar viseiras, de não darmos beijos, de manter distância entre as cadeiras, era complicado perceberem estas dinâmicas. Começaram a ser feitas videochamadas consoante as famílias iam pedindo, no início era uma coisa nova, mas agora estão mais habituados. Foi difícil gerir os sentimentos, o facto de não podermos dar miminhos, abraços, há utentes que nos pedem e não o podemos fazer porque temos receio de trazer para dentro o vírus e saber que podemos ser nós a trazer deixa-nos preocupados. Neste momento damos o material aos utentes, desinfetamos o material no final, as atividades têm de ser realizadas por forma a haver distanciamento entre os utentes, colocamos dois ou três por mesa, e depois desinfetamos todo o material.

Creche em tempos de COVID-19

Foi no dia 13 de março que a Creche/Jardim de Infância da Santa Casa da Misericórdia de Alijó fechou as suas portas devido à Pandemia COVID-19.

Lembro-me como se fosse hoje, e no entanto já passaram 6 meses. As expressões de medo e de insegurança de todas as colaboradoras, dos pais, das crianças…

E agora?- perguntávamos nós – Como vai ser? Quando reabriremos? Será que é mesmo necessário?

O tempo foi passando e tivemos que nos reinventar para continuarmos a desenvolver o nosso trabalho diário com as crianças, na esperança que o regresso, que esperávamos célere, não fosse tão impactante. Assim, Reuni com a restante equipa pedagógica e decidimos criar  grupos de pais, através das redes sociais, por onde comunicávamos diariamente com os familiares das crianças.

No que diz respeito às reuniões de Educadoras, estas eram realizadas através de videoconferências pois era fundamental continuarmos a desenvolver as actividades que estavam planificadas no Plano Anual de Atividades, bem como outras que foram surgindo, e que estas estivessem alinhadas com todos os grupos de crianças. Uma vez que as Educadoras faziam vídeos para explicar actividades às crianças, decidimos criar um canal do Youtube, onde diariamente eram partilhados vídeos ficando, assim, disponíveis para toda a comunidade educativa.

A maioria de nós teve que se adaptar às Novas Tecnologias e tivemos que conciliar o nosso teletrabalho com a vida familiar, pois estávamos todos numa nova realidade, em confinamento, e alguns de nós com crianças pequenas em casa, que exigiam a nossa atenção e apoio.

As restantes respostas sociais da SCMA solicitaram o nosso apoio, através da deslocação de colaboradores para o ERPI, SAD, UCC e Farmácia. Foram assim distribuídos e ajustados horários de trabalho para esses colaboradores que se mantiveram sempre na “Linha da Frente”, nas restantes Respostas Sociais.

O dia 18 de maio foi esperado com muita ansiedade! Finalmente a creche reabriu as suas portas para acolher as crianças cujos pais necessitavam de regressar aos seus postos de trabalho, seguido da reabertura, a 1 de junho, do Jardim de Infância. Inicialmente a Creche abriu com poucas crianças, e com menos de metade dos colaboradores, devido ainda ao receio dos pais.

Após quase dois meses e meio de encerramento foi necessário pôr mãos à obra e reorganizar todo o ambiente educativo. As Orientações surgiam de todo o lado e havia muitas dúvidas sobre os melhores procedimentos a adoptar. Assim, juntamente com a Unidade de Controlo e Infeção da Santa Casa da Misericórdia de Alijó, definiram-se algumas Medidas obrigatórias para o Funcionamento da Creche/jardim de Infância, na sua Reabertura, que foram facultadas aos pais através de vídeos informativos e Panfletos. Para os colaboradores também foi uma nova adaptação. Passamos a ter novas regras de entrada e saída, passamos a fazer jornada contínua, sem podermos sair para espairecer na hora de almoço, o uso obrigatório de máscara durante mais de oito horas de trabalho, a constante desinfecção das mãos e de material pedagógico, entre outras; causaram-nos alguma ansiedade em perceber como as crianças iriam aceitar estas alterações.

Era tudo novidade…Passamos a “abraçar com os olhos e a sorrir com o coração”. Afinal de contas, a nossa realidade já não é a mesma. Os afetos são muito característicos da infância e isso já não é  possível, pelo menos da maneira a que estávamos habituados. As crianças já não conseguem ver o nosso sorriso, devido à máscara que temos que usar no dia-a-dia; são alertadas constantemente para as novas medidas, tais como: a importância de não partilhar os materiais; não poder abraçar-nos nem abraçar os colegas; ter que lavar as mãos frequentemente, entre outros.

Mas afinal de contas, como podemos explicar a estes meninos e meninas que o nosso ambiente educativo tem que ser reinventado? Como explicar que agora não podem estar tão juntos? Como fazê-los compreender que os passeios ao exterior terão que ficar suspensos, e até quando?

Estas questões surgem diariamente da boca das nossas crianças e nós não conseguimos dizer-lhes que isto vai ter um fim, nem dar-lhes uma data. Só nos resta dizer-lhes que “Vai ficar tudo bem” e reinventar-nos diariamente, minimizando o impacto do COVID-19 no seu desenvolvimento, para que tudo possa parecer mais fácil.

A Diretora Técnica,

Sofia Esteves

Solidariedade em tempos de Pandemia

Durante o pico da pandemia da COVID-19 foram muitas as Associações e Instituições que se uniram em prol de um único objetivo: ajudar o próximo. Esta ajuda chegou até à Santa Casa da Misericórdia de Alijó em forma de donativos.

Aquando da declaração do estado de emergência, em março, a preocupação da Santa Casa da Misericórdia de Alijó foi a segurança imediata dos seus utentes, conseguir reunir o máximo de materiais de proteção individual e tranquilizar as famílias. Porém, estaria longe de imaginar que a solidariedade viria de vários pontos do País e de vários setores de atividade.

Desde as entidades locais como o Município de Alijó e a Juntas de Freguesia de Alijó e Castedo e Cotas, aos vários comércios do concelho, passando por empresas nacionais, por particulares, pela SIC Esperança e pela União das Misericórdias, todos quiseram contribuir com vários materiais para que o combate à propagação da COVID-19 fosse eficaz.

De entre as várias ofertas destacam-se os inúmeros equipamentos de proteção individual, os desinfetantes, mas também o material informático que ajudou os nossos utentes a estarem mais perto da família quando a saudade apertava.

Esta onda solidária que se criou em tempos de pandemia representou uma grande ajuda para que Instituições, como a Misericórdia de Alijó, assegurassem a saúde e o bem-estar dos utentes numa fase mais complicada. Desta forma, a Santa Casa da Misericórdia de Alijó agradece, mais uma vez, todas as doações que foram feitas ao longo destes meses.

Abertura dos Centros de Dia

Impacto nos utentes

O Centro de dia é uma resposta social desenvolvida pelo Centro Social do Pinhão da Santa Casa da Misericórdia de Alijó.

Ao longo dos últimos meses foram criadas soluções para lidar com as situações adversas que têm surgido. Uma das situações que suscitou alguma preocupação às instituições foi o encerramento dos centros de dia. Estes Centros prestam apoio a um número significativo de utentes que encaram a frequência nos mesmos como sendo uma “segunda casa”. Os utentes estavam habituados a ter atividades de animação sociocultural, intervenção psicológica e estimulação cognitiva, assim como um convívio diário que lhes proporcionava momentos de bem-estar.

De forma a dar resposta às necessidades destes utentes, a Misericórdia começou a prestar o serviço de apoio domiciliário a estes utentes. O isolamento social, a ausência de familiares próximos, foi algo com que os utentes tiveram que aprender a gerir. Muitas vezes, as únicas visitas que recebiam eram da equipa do Centro Social. A equipa teve que “puxar pela criatividade” de forma a conseguir alegrar o dia-a-dia destes.

Uma das queixas mais frequentes que estes utentes têm apresentado é a “saudade da rotina do centro de dia”. O isolamento social, as preocupações dos utentes relativamente à covid-19, levanta questões importantes relacionadas com o bem-estar psicológico e saúde mental dos mais velhos. Existem muitos utentes que têm vindo a revelar sintomatologia ansiosa e depressiva, desta forma, são reunidos esforços, em articulação com os profissionais afectos a esta instituição de forma a dar resposta às problemáticas que têm surgido.

A maior preocupação da Misericórdia é com o isolamento dos utentes e a garantia da não transmissão do vírus, assim como restabelecer os momentos de convívio e afecto que existiam neste espaço. Neste sentido, foi elaborado um plano de contingência de forma a seguir as regras impostas pela DGS.

Em declarações ao “Pelicano”, a Diretora Técnica Susana Teixeira refere que “a abertura dos centros de dia obrigou à alteração de dinâmicas no que concerne ao espaço e ao número de utentes. Tínhamos dezanove utentes e neste momento, só podemos ter capacidade para treze”. Menciona ter existido uma articulação com os familiares e utentes, considerados grupos de risco (ex: utentes com doenças do foro respiratório), no sentido de os sensibilizar para o apoio a partir do domicílio. Desta forma, estes utentes encontram-se a receber apoio domiciliário, os mais autónomos regressaram ao Centro de Dia. As rotinas para estes utentes passaram a ser diferentes: os utentes ficaram divididos em dois grupos, em duas salas distintas; utilizam máscara durante o dia todo; foi criada uma zona de limpos e sujos, ou seja, os utentes entram para a instituição e trocam de calçado e no final do dia saem por outra zona; o material das atividades é todo desinfetado; a dinâmica do transporte também foi alterada uma vez que tem que ser realizada de forma a transportar os utentes por grupo e em grupos pequenos. A Diretora Técnica acrescenta que os utentes “estão extremamente felizes por regressar e que a higienização das mãos passou a ser um hábito deles, do qual já não conseguem abdicar”.

Farmácia do Hospital realiza Testes COVID-19

A Farmácia do Hospital da Stª Casa da Misericórdia de Alijó está a realizar testes imunológicos à COVID-19. Os testes rápidos, também denominados por testes serológicos por imunocromatografia, são meios de diagnóstico altamente fiáveis e específicos.
Do ponto de vista técnico, este imunoensaio qualitativo baseado na membrana para a deteção de anticorpos em sangue total é realizado por profissionais
qualificados para o efeito, num espaço controlado, diferente das instalações da Farmácia cedido pela instituição e utilizando todos os meios de higiene e segurança, quer no momento do contacto com a pessoa, quer na preparação e no tratamento das amostras.

Desde meados do mês de Junho que a Farmácia do Hospital da SCMA está a efetuar estes testes não só a particulares como também a funcionários de empresas com atividade profissional em outras regiões do país ou no estrangeiro e que, antes da formação dos grupos de trabalho, mostram interesse em garantir a saúde e a segurança dos seus funcionários.

Para mais informações sobre estes testes, fale connosco. Envie-nos um email para farmaciadohospital.scmalijo@gmail.com

PPCIRA

Na Santa Casa da Misericórdia de Alijó existe a equipa do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infecções e de Resistência a Antimicrobianos (PPCIRA) que desenvolveu diversas acções de formação, elaboração de protocolos no âmbito do controlo de infecção, ensinos de enfermagem, entre outros. Este Programa tem sido aplicado aos funcionários desta instituição ao longo dos anos.

Perante o risco actual e a responsabilidade perante todos os funcionários, esta equipa ganhou outra importância uma vez que foi necessário traçar um Plano de Contingência para fazer face à actual problemática. Este plano foi alvo de revisões permanentes, actualizações e reuniões que eram realizadas de acordo com as indicações da Direcção Geral de Saúde (DGS).

O surto de doença por COVID-19 adquiriu uma dimensão epidémica, com casos confirmados em mais de 60 países, incluindo Portugal. Neste sentido esta equipa pretendeu antecipar e gerir, nas várias valências, o impacto da pandemia. Sendo este um factor desconhecido para todos, pretendemos com este artigo compreender um pouco melhor todo o trabalho realizado e os “bastidores” de todo o processo.

 

Uma equipa de luxo

Em declarações ao Pelicano, a equipa referiu alguns dos aspectos mais desafiantes que vivenciaram. A equipa aborda o facto de, para além de terem que reunir sempre que existiam novas indicações da DGS, também tiveram que se antecipar e delinear soluções a implementar no imediato. Segundo a equipa “(…) existiram questões que a DGS não era explícita e tivemos que interpretar da melhor forma possível. As directrizes saíam em cima da hora e, por isso, tivemos que nos antecipar ao que poderia acontecer. Um dos exemplos foi o encerramento da creche antes de ser anunciado pela DGS, assim como o cancelamento das visitas na ERPI”.  

Diversos estudos têm apontado a exposição às exigências sem precedentes como o racionamento de equipamentos de protecção individual, a pressão do ambiente envolvente e o receio de contágio, que parecem ser factores que geram o “burnout” nos profissionais de saúde. Quem acompanhou de perto esta equipa, pôde constatar o desgaste físico e psicológico que as atuais circunstâncias lhes causaram. Tal como referem chegamos a estar em casa e a lembrarmo-nos de pormenores que faltavam acrescentar ao plano (…) o telefone não parava, foi esgotante”.  Em comunicado ao jornal, também salientam que “o difícil não foi elaborar o plano, o mais complicado foi adequar o plano às especificidades de cada valência uma vez que não conhecíamos algumas das instalações (…) ter que criar uma sala de isolamento sem conhecer o espaço, torna-se complicado, gerir tudo isto deixou-nos esgotadas”.

Actualmente vivemos um momento mais tranquilo da pandemia. Contudo, esta equipa mantém reuniões e continua a antecipar a possibilidade de surgir um novo surto sendo que têm vindo a delinear estratégias para lidar com esta situação que tanto nos afecta a todos.

A equipa é composta pelas Enfermeiras Ana Araújo, Ana Raquel Vaz, Cármen Pinto, Cármen Rodrigues e o Dr. José Presa Ramos. Esta equipa merece a nossa maior consideração, estiveram na linha da frente e protegeram a nossa instituição da melhor forma possível e a todos os membros queremos deixar o nosso maior obrigado.